
História e Lenda de Santiago
Santiago Maior, também chamado Santiago de Compostela, foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo. Foi feito santo e chamado Santiago Maior para o diferenciar de outros santos de nome Tiago, como o apóstolo Santiago Menor, e ainda Santiago, o Justo.
Segundo o Novo Testamento, Tiago era filho de Zebedeu e Salomé (esta era uma das mulheres devotas que seguiam Cristo e cuidavam da sua assistência), e irmão mais velho de São João Evangelista. Nasceu em Jaffa, perto da actual Tel-Avive. Tal como seu pai e o irmão, o apóstolo João, era pescador no Mar da Galileia, onde trabalhava com André e Simão Pedro.
Tiago, Pedro e João seriam os primeiros a abandonar tudo para seguirem Jesus como seus discípulos. Acompanharam-nO durante os três anos da Sua vida pública, e são diversos os factos que mostram ser Santiago um dos três mais íntimos de Jesus. Jesus chamava-lhe bem como a seu irmão João: “Boanerges” ou seja: “Filhos do Trovão”, caracterizando os seus temperamentos arrebatados e a forma impetuosa de pregar. Certo dia, os dois irmãos mostraram de forma clara o seu temperamento contra um certo homem que expulsava demónios em nome de Jesus Cristo. Quando certa vez os samaritanos se recusaram a receber Cristo, os irmãos disseram: “Senhor, queres que ordenemos que chova fogo do céu e os devore?”
Atendendo ao pedido de Jesus: “Sereis minhas testemunhas, em Jerusalém, em toda a Judeia, em Samaria e até ao fim da terra”, partiram os Apóstolos por todo o mundo a anunciar o Evangelho, tendo Santiago pregado a doutrina cristã pela província romana da Hispânia. Os locais por onde terá passado incluem, agora, Braga, Guimarães, S. Pedro de Rates e a Galiza, na Espanha.
Quando voltou à Palestina, no ano 44, foi preso e decapitado, a mando de Herodes Agrippa I, filho de Aristobulus e neto de Herodes o Grande. Uma tradição, recolhida por Clemente de Alexandria, refere que o guarda de Santiago se converteu à vista da firmeza do testemunho que dava. Pediu perdão ao Apóstolo que o abraçou: “A paz esteja contigo”; e a ambos foi cortada a cabeça. Foi o primeiro apóstolo a derramar o sangue para mostrar ao Senhor quanto era séria a sua fidelidade.
Após estes factos, conta a já referenciada lenda católica, que o corpo do santo, juntamente com a cabeça, foi levado para fora da cidade para que fosse devorado pelas aves, cães e feras. Todavia, dois dos seus discípulos ,Teodoro e Atanásio, transportaram-no até o mar e, numa barca sem leme nem velas, guiados por um anjo, transladaram-no de volta para a Hispânia. Chegados a Iria Flávia, situada em terras pertencentes a uma dama chamada Lupa, amarraram a barca a uma coluna de pedra. Procuraram então por Lupa para solicitar autorização para sepultarem o santo no seu feudo. Esta mandou os discípulos a Filotro, que residia em Dugium, próximo de Fisterra. Este senhor, como enviado romano, dono de grande autoridade, além de não atender ao pedido, mandou prender Atanásio e Teodoro. Porém, milagrosamente, apareceu um anjo que os libertou e permitiu que fugissem dos soldados romanos atravessando o rio Tambre, pela ponte Ons ou Puente Pías. Novamente se encontraram e conversaram com Lupa a qual, simulando uma atitude bondosa, os presenteou com um carro de bois para que transportassem o apóstolo de Padrón até Santiago. Dirigindo-se ao Monte Iliciano para buscar os animais, depararam apenas com touros selvagens, que, ao sinal da cruz feito pelos cristãos, logo se tornaram mansos. Presenciando tal milagre, a dama converteu-se. Avançando, chegaram a um local, propriedade de Lupa, que o doou para ser construído um monumento funerário. A esse terreno foi chamado Libredón (Liberum donum).
Em 814, um eremita do bosque de Libredón, de nome Pelágio (ou Pelaio), observou durante algumas noites seguidas uma “chuva de estrelas” sobre um monte do bosque. Avisado das luzes, o bispo de Iria Flávia, Teodomiro, ordenou escavações e encontrou uma arca de mármore com os ossos do santo e dos seus discípulos.
No “Campus Stellae” – de onde se crê provir a palavra Compostela – foi erigida uma capela para proteger o túmulo do apóstolo que se tornou um símbolo da resistência cristã aos ataques dos mouros. A partir do ano 1000 as peregrinações a Santiago popularizam-se, tornando-se a cidade num dos principais centros de peregrinação cristã; é também nesta altura que surgem os primeiros relatos de peregrinos que viajaram a Compostela.
No século XII é publicado o primeiro guia do peregrino (do Caminho Francês) – o Códice Calixtino (ou Liber Sancti Jacobi) atribuído ao Papa Calixto II, que proclama ainda que quando o dia do Santo (25 de Julho) é num Domingo, esse é um Ano Santo Jacobeu (com especiais bênçãos e privilégios espirituais para os peregrinos). Grupos de peregrinos começam a chegar de toda a Europa, desenvolvendo as cidades por onde passam.
O Caminho de Santiago, tal como relatado no Códice Calixtino é, em terra, o desenho da Via Láctea, porque esta rota se situa directamente sob a Via Láctea que indica a direcção de Santiago, servindo assim, na Idade Média, de orientação durante a noite aos peregrinos. Esta associação deu ao Caminho o nome de Caminho das Estrelas e fez com que a chuva de estrelas seja um dos símbolos do culto Jacobeu, juntamente com a Vieira, a Cabaça e o Bordão.
Ainda hoje, dezenas de milhares de peregrinos se dirigem anualmente a Santiago de Compostela, considerada a terceira cidade mais sagrada no cristianismo depois de Jerusalém e Roma.
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